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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Como alcançaremos Krsna-prema?

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Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura

Pergunta1: Como alcançaremos Krsna-prema?

Resposta: Os devotos de Bhagavan sustentam uma esperança promissora de que as entidades vivas alcançarão seu bem estar eterno e de que estas não permanecerão ocupadas com assuntos inauspiciosos. Os únicos meios para se alcançar este bem-estar eterno é abrigar-se aos pés de lótus de śrī gurudeva, que é muito querido pelo Senhor Kṛṣṇa (kṛṣṇa-preṣṭha). Por abrigar-se aos pés de lótus de śrī gurudeva, que é não-diferente de Śrī Rūpa, a pessoa alcançará a posição de um servo de Nanda-nandana Śrī Kṛṣṇa. Este śrī gurudeva deve ser servido com amor e convicção determinada e deve-se ouvir sobre hari-bhajana de seus lábios de lótus.

Quando a poeira dos pés de lótus de Śrīla Gurudeva se tornar nosso suporte principal, seremos capazes de alcançar madhurya-seva a Śrī Kṛṣṇa, Ele que encanta o mundo inteiro (bhuvana-mohana). Então devemos sempre adorar os pés de lótus de Śrīla Gurudeva sem interrupção.

Śrīla Gurudeva é transcendental (aprākṛta). Ele não é uma entidade temporária deste mundo, meramente um corpo de carne e sangue. Sua forma, assim como a de Śrī Bhagavān, é composta de eternidade, conhecimento e bem-aventurança. Śrīla Gurudeva é nara-brahma – um ser humano transcendental – ele não é nara, um homem comum e mortal. Qualquer serviço oferecido a seres transcendentais como guru e Gaurāṅga por aqueles que os consideram como parte da multidão deste mundo, é simplesmente pretensioso, uma vez que tais pessoas somente fazem serviço para satisfazer seus próprios interesses egoístas. Tal serviço não é serviço puro e, ao invés disso, simplesmente reflete a mentalidade de um negociante, padmā-nīti*.

Enquanto a alma não estiver completamente sob a guia daquele ser mais adorável, śrī gurudeva, Bhagavān não se tornará o objeto de sua visão (darśana). Aqueles que não estão conscientes das qualidades de śrī gurudeva, tais como sua transcendência (aprākṛtatva), sua posição como mestre (īśvaratva) e sua intimidade excepcional com Kṛṣṇa (kṛṣṇa-preṣṭhatva), são totalmente desqualificados para entrar na morada transcendental de kṛṣṇa-sevā. Somente pela misericórdia de śrī gurudeva poderemos nos aproximar da Entidade Transcendental.

Em outras palavras, por se abrigar aos pés de lótus de Śrī Caitanyadeva seremos capazes de receber Seu darsana com olhos divinos, os quais serão compostos de consciência pura e repletos da bela tendência a servir. Deste modo, por ter a boa sorte de se aproximar dos pés de lótus de svayaṁ-rūpa Śrī Kṛṣṇa, nos tornaremos abençoados e alcançaremos nosso propósito.

Enquanto permanecermos cativados pelas aparências externas e mundanas (prakṛta-rūpa), não receberemos o darśana de śrī gurudeva, que é não-diferente de Śrī Rūpa (Śrī Rūpa Gosvāmī ou, literalmente, "aquela beleza graciosa"). Somente quando realizarmos serviço amoroso sincera e honestamente (bhajana) para aquelas entidades adoráveis, śrī guru e Śrī Kṛṣṇa, alcançaremos auspícios e, então, nossa visão atual, pela qual percebemos todos os objetos como objetos para nosso desfrute, finalmente cessará. Portanto, minha prece é:

adadānastrinaṁ dantair
idaṁ yāce punaḥ punaḥ
śrīmad guru padāmbhoja
dhuliḥ śyāṁ janma-janmani

Tendo colocado uma folha de grama entre meus dentes, reclino-me e oro repetidas vezes: “Não desejo nenhuma das quatro metas da vida humana, a saber: dharma (religiosidade), artha (desenvolvimento econômico), kāma (gratificação dos sentidos) ou mokṣa (liberação). Somente quero me tornar uma partícula de poeira aos pés de lótus de Śrīla Gurudeva. Isto é, sob a orientação de meu Śrīla Gurudeva, desejo servir Bhagavān constantemente da mesma forma que meu gurudeva O serve.”

“Kṛṣṇa é meu. Se eu não O servir, Ele experimentará um grande problema.”

Somente alcançaremos kṛṣṇa-prema, ou serviço a Śrī Kṛṣṇa, quando este tipo de sentimento amadurecer completamente. Tal boa fortuna só é possível quando a pessoa ganha a afeição de śrī gurudeva por prestar serviço a ele.

Pergunta 2: A fé (śraddhā) em śrī gurudeva é verdadeiramente a raiz de bhakti?

Resposta: Certamente. É absolutamente essencial ter sambandha-jñāna (conhecimento dos relacionamentos existenciais) antes de bhakti despertar. Śrī gurudeva é o único que concede este sambandha-jñāna. Uma fé resoluta em śrī guru, que é completamente transcendental, é a raiz de bhakti.

Adau śraddhā. O primeiro estágio é a obtenção de fé transcendental. Após abrir mão da certeza cega de que existem numerosas religiões diferentes e abandonar o caminho da lógica e da argumentação, nosso primeiro e mais importante requisito é desenvolver śraddhā nas instruções auspiciosas de śrī gurudeva.

O que significa śraddhā? Śraddhā significa ter total confiança nas palavras de śrī gurudeva. Significa que nunca devemos confiar nas palavras de qualquer pessoa mundana pois todos são farsantes, a exceção de śrī gurudeva. Renunciando às palavras de todas as outras pessoas neste mundo, devemos estabelecer as palavras de śrī gurudeva como o objeto de toda nossa fé, uma vez que ele descende de Vaikuṇṭha exclusivamente para nos salvar. Se não fizermos isso então não haverá espaço para nossa felicidade. Somente pela misericórdia de śrī gurudeva que nossos anarthas (obstáculos) serão dissipados e todas nossas esperanças serão realizadas. Pela misericórdia dele somente nos será concedido o darśana de Bhagavān e obteremos a Sua misericórdia.

Por estar nas proximidades do sādhu e do guru e por se associar com eles, seremos aliviados de todas as nossas dificuldades e, assim, obteremos śuddha-bhakti. Então devemos contar com śrī gurudeva irrestritamente para nos aproximarmos e servimos a Pessoa Absoluta. Śrī guru nos dará o benefício mais elevado. Se, por acaso, encontrarmos um guru verdadeiro, então certamente seremos salvos e alcançaremos nossa meta. Śrī guru sempre nos suprirá enriquecendo-nos com o conhecimento e o serviço transcendentais.

Pensar em regular gurudeva de algum modo é uma visão de mundo de um ateísta.É esta concepção exclusivamente que constitui a desobediência ao mestre espiritual (guru-avajña – a terceira das dez ofensas aos santos nomes) e deve ser sempre abandonada.

Pela misericórdia de śrī gurudeva, nós, partículas atômicas de consciência (aṇu-caitanya), nos aproximaremos da Consciência Suprema e Infinita (vibhu-caitanya). Iremos abandonar a associação das outras pessoas comuns e nos aproximaremos de nosso Senhor eterno. Embora śrī gurudeva se considere um servo insignificante de Bhagavān, eu o considero como meu amigo eterno e bem-querente, o único que pode me ajudar a me aproximar de Bhagavān. Considero śrī gurudeva como sendo tanto idêntico a Bhagavān como o querido de Bhagavān. Irei me render completamente aos seus pés de lótus. Sem nenhum interesse pessoal, irei unir todos os meus esforços somente para serví-lo. Só então alcançarei toda a perfeição.

Pergunta 3: Como podemos obter a felicidade?

Resposta: A pessoa pode se livrar do medo e da tristeza e experimentar a felicidade verdadeira por permanecer abrigada aos pés de lótus de Śrīla Gurudeva podemos obter a sua associação por serví-lo. É possível receber a misericórdia de Śrīla Gurudeva muito rapidamente por permanecer ocupado no serviço a ele o tempo todo, através do corpo, mente e palavras. Quando Śrīla Gurudeva está satisfeito, a inclinação a serví-lo aumenta cada vez mais. Esta sorte é a melhor de todas as boas fortunas e a única recompensa verdadeira.

Pergunta 4: O que é bhakti?

Resposta: A busca por dar felicidade e satisfação a Deus (Bhagavan) constitui bhakti. O sentido e o significado de bhakti é promover a felicidade e a satisfação de Kṛṣṇa e não a de cada um de nós. Bhakti é a ocupação inata da alma e também a única função eterna, natural e constitucional (dharma) dos seres vivos. Por constituição a alma não tem outra função (dharma).

Qualquer outra tendência não é o dharma verdadeiro da alma, uma vez que nenhuma outra tendência é a função constitucional da alma assim como bhakti é. Pelo contrário, estas outras tendências são reflexos distorcidos do dharma verdadeiro e são, portanto, temporários e provisórios.

Bhakti destrói o medo, o sofrimento e a ilusão. O que causa o medo, o sofrimento, a ilusão e assim por diante é nada mais senão a absorção naquilo que percebemos como separado de Kṛṣṇa. Tudo que é percebido como separado de Kṛṣṇa ou de Seus devotos constitui dvitīya-abhiniveśa (absorção em assuntos secundários e insignificantes). Bhakti compreende uma absorção completa e exclusiva em uma única entidade: Bhagavān Śrī Kṛṣṇa, e é repleta de estabilidade (niṣṭhā) Nele.

Pergunta 5: Bhagavān alguma vez interfere na independência da entidade viva?

Resposta: A entidade viva é um fragmento minúsculo (aṇu-aṁśa) de Parameśvara, a Supreme Infinite Consciousness (vibhu-caitanya).

Uma gota de água tem as mesmas qualidades de um oceano de água, embora em uma quantidade diminuta. Similarmente, uma vez que vibhu-caitanya Bhagavān é supremamente independente, a alma infinitesimal também tem a qualidade da indenpendência, mas somente num grau infinitesimal.

A entidade viva não é criada, ela é uma entidade eterna. A alma também não é inerte, ao invés disso ela é consciente. A independência que a entidade viva possui não foi concedida por ninguém, pois é inata à sua existência. A alma somente experimenta o sofrimento devido ao mal uso de sua indenpendência.

Bhagavān nunca interfere na indenpendência de ninguém, pois Ele não é o destruidor de cetana-dharma, o estado de jurisdição natural e inata da alma. Bhagavān é um oceano de compaixão e, assim, Ele simplesmente familiariza o ser vivo com o uso apropriado e desapropriado de sua faculdade da jurisdição. Somente aqueles que se ocupam em bhajana de Bhagavān após ouvir todas estas instruções Dele ou das escrituras – em outras palavras, aqueles que exercitam sua independência apropriadamente - podem obter seu bem-estar supremo.

Pergunta 6: O que é māyā (ignorância)?

Resposta: “Mīyate anayā iti māyā – aquilo que pode ser usado para medir ou aquilo que pode ser medido é māyā.” A combinação de mā (não) e yā (aquilo) produz a palavra māyā, ou, literalmente, “aquilo que não é”.

Māya abrange tudo aquilo que é perecível e temporário. Aquilo que não é o Senhor Supremo, Bhagavān, é māyā. Bhagavān é o mestre de māyā; Ele não pode ser medido.

Māyā, conforme descrito no Śrīmad-Bhāgavatam, não é uma entidade separada, como parece no Cristianismo, onde Deus e o Diabo são considerados duas entidades separadasDe acordo com a escola de Bhāgavata, māyā reside atrás da Suprema Personalidade, Bhagavān, ainda que como Sua sombra, num estado de condenação para castigar e corrigir as entidades vivas que se tornaram avesas a Kṛṣṇa.

* Padmā-nitī – a política de Padmavātī, mãe de Kaṁsa, que audaciosamente queria ajustar o débito dos Yādava a ser pago aos Vrajavāsīs através do cálculo do pagamento em trocade todas os serviços amorosos transcendentais que eles prestaram para Kṛṣṇa enquanto Ele morou com eles.

Traduzido para o inglês do Śrīla Prabhupadera Upadeśāmṛta e publicado pelo Rays of The Harmonist team.As perguntas foram renumeradas para esta apresentação on-line.

Traduzido para o português por Basanti dasi do Rays of The Harmonist, ano 2, número 7, 11 de agosto de 2009.

http://www.purebhakti.com/resources/harmonist-monthly/51-year-2/1071-how-will-we-attain-krsna-prema-.html

. Hare Krsna

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Madhava-tithi, Ekadasi

texto enviado e tradução por : Baladeva dasa anu dasa bhahmachari


A mãe de prema-bhakti


Hoje é ekadasi-vrata. Acredito que a maioria de vocês está seguindo corretamente. É muito difícil observar ekadasi completamente, como fez Ambarisa Maharaja, muito difícil. Ele viveu na satya yuga e era tão forte que podia jejuar sem dormir, sem beber e sem sequer respirar, ficava parado em uma só perna. Em kali yuga, não somos tão fortes nem tão avançados, mas somos muito afortunados. Sri Chaitanya Mahaprabhu explicou que se sentimos muita fome no ekadasi, podemos comer frutas, sucos ou leite. Nos dias de ekadasi, não temos que comer constantemente. Uma hora um litro de suco, depois de meia hora outro suco diferente, meia hora depois batatas fritas e outras verduras, depois um grande balde de água, meio kilo de requeijão com açúcar e outro meio kilo de arroz dôce. Temos que comer apenas o necessário.

Devemos permanecer despertos durante o dia e a noite, e passar o ekadasi cantando e lembrando de Sri Krishna, assim como Maharaja Ambarisa fez. Ele era o imperador do mundo inteiro e externamente parecia um homem casado e ocupados em afazeres materiais. Durvasa Muni era um brahmana e um yogi autorealizado; um brahmarsi (sábio) adorador do aspecto impessoal de Deus, e ele tinha muito poder. Seu poder era tanto, que podia amaldiçoar um homem á morrer e também dar vida á um morto. Ele tinha um alto conceito de si mesmo e considerava-se o homem mais poderoso do mundo. “Nasci em uma família brahmínica dentro da dinastia de Sankara. Sou o filho de Atri e Anasuya e Sri Rama e Sita Devi (que é a própria Laksmi), receberam muitas bênçãos dos meus pais.” Mas Durvasa Muni nunca observava ekadasi. Em uma ocasião, em Madhuvana (Mathura), maharaja Ambarisa observou o maha-dvadasi cantando, lembrando, servindo as deidades, orando durante todo o dia e noite, sem beber nem dormir. No dia seguinte, após fazer sua adoração á Sri Krishna e quando estava para quebrar o jejum, Durvasa Muni chegou ao seu palácio. Durvasa parecia um semi-deus, mas não havia observado o ekadasi. Maharaja Ambarisa lhe pediu que quebrasse o ekadasi tomando maha-prasada, depois de que ele tomaria também. “Sim”, disse Durvasa, “mas antes vou tomar um banho no Yamuna. Já volto. Não demoro.”

Mas Durvasa demorou a voltar e quando faltavam apenas alguns minutos para esgotar o tempo de quebrar o ekadasi, Maharaja Ambarisa pensou: “Um brahmana-rsi veio em minha casa. Ele não é uma pessoa ordinária e deveria mostrar-lhe respeito tomando maha-prasada apenas depois de oferecer-lhe. Se não faço isto, estarei desobedecendo as regras da cultura hindu e terei que pagar por isto, mas por outro lado devo observar meu voto de ekadasi apropriadamente. Este voto não é uma atividade mundana, e sim transcendental. Se não o observo tomando maha-prasada no momento correto, poderei perder minha bhakti. Então, devo honrar o brahmana ou bhakti? Após deliberar sobre a situação, ele decidiu honrar bhakti. “Não posso atuar contra bhakti de maneira nenhuma. Mesmo que eu perca algum bem material ou tenha que ir ao inferno, não desrespeitarei o ekadasi. Quebrarei o jejum no momento certo tomando apenas uma gota de água que foi utilizada na adoração do Senhor Krishna (charanamrta).

Se alguém observa o jejum sem tomar sequer água ou suco, pode quebrar o jejum com charanamrta, mas se já estiver tomado água, frutas, leite ou verduras, deve quebrar o ekadasi tomando algum grão. De outro modo o ekadasi não será completo. Maharaja Ambarisa concluiu: “Não tomei sequer água durante minha observância do ekadasi, de modo que posso tomar charanamrta, e ao não tomar grãos, também respeitarei o brahmana.”

No momento que Ambarisa tomava uma gota de charanamrta, Durvasa Muni regressou e ao vê-lo, disse:

Não és um verdadeiro devoto. “Eu sou um brahmana perfeito; você conhece minha origem. Sabe que tenho grandes poderes e apesar disto, se atreveu á faltar-me respeito. Agora mesmo te reduzirei á cinzas.

Dizendo isso, ele arrancou uma mecha de seu cabelo, jogou ao solo e lhe ordenou que se transformasse em uma fogueira. No mesmo instante apareceu ali um demônio de fogo que se dirigiu á Ambarisa Maharaja com a intenção de faze-lo arder em chamas, mas neste momento a Sudarshana Chakra se manifestou. Sri Krishna havia ordenado que seu disco sempre protegeria seus devotos. A chakra destruiu o demônio do fogo, e depois se dirigiu á Durvasa Muni, que começou a correr apavorado.

“Socorro! Socorro!”- gritava ele.

Quando o demônio do fogo se aproximou para mata-lo, Ambarisa cantava sem nenhum temor. “Que eu viva ou morra agora, tudo depende de Krishna”. Ele dependia completamente de Krishna, e por isso a chakra o salvou. Mas Durvasa Muni, apesar de ser um brahmana poderoso e um yogui autorealizado, teve medo da morte e correu. Primeiro tentou refugiar-se em seu pai, O Senhor Shiva, mas ao se aproximar-se, Ele lhe disse: “Sai daqui! Estás metido nesta situação porque faltaste com respeito á um vaishnava. Sei como os vaishnavas são influentes e assim jamais os ofendo de maneira alguma. Se te protejo agora, Sudarshana me atacará também.

Durvasa Muni se dirigiu então ao Senhor Brahma, o qual também negou á ajuda-lo. Finalmente, ele foi até o Senhor Vishnu e orou:

“Ó Vishnu! Salvai-me de tua arma. Refugio-me em ti.

“Não posso fazer nada para te proteger, respondeu o Senhor Vishnu. Não sou livre. Estou subordinado á meus devotos. Eles me deram seus corações e Eu lhes dei o Meu, de modo que não sou independente.”



Aham bhakta-paradhino

Hy asvatantra ivã dvija

Sadhubhir grasta-hrdayo

Bhaktair bhakta-jana-priyah



“A Suprema Personalidade de Deus disse ao brahmana: “Eu dependo completamente dos meus devotos. Na verdade, não tenho a menor independência. Por que eles estão livres de todo desejo material, Eu simplesmente moro no fundo de seus corações. E o que dizer dos meus devotos, mesmo os que são devotos dos meus devotos são muito queridos á mim.” (Bhag.9.4.63)



Quando alguém tem um espinho no pé, não se pode remove-la cortando a cabeça. O Senhor Vishnu disse: “Os vaishnavas são tudo para mim. Fiz o voto de protege-los sempre. Se quer se salvar, deves ir á Ambarisa Maharaja. Não o veja como um homem comum, casado ou como um rei. Ele não é uma pessoa ordinária, se não que é meu devoto querido. Deves oferecer reverências á ele. As pessoas mundanas pensam: “Sou culto, rico e poderoso, enquanto que estes vaishnavas são uns inúteis que não fazem mais do que cantar Hare Krishna. Mas tu, Durvasa, deve se tornar um vaishnava sincero, então Sri Krishna te protegerá e te outorgará krsna-prema”.

Desde que Durvasa saiu correndo da arma do Senhor um ano antes, Maharaja Ambarisa não havia comido nada. Quando Durvasa Rsi finalmente chegou onde se encontrava Ambarisa Maharaja, o rei se desculpou cheio de humildade.

“Não sou nada, não sou um devoto. Desobedeci e te desrespeitei ao quebrar meu jejum.”

Durvasa Muni caiu aos pés de lótus de Maharaja Ambarisa. Imediatamente, Ambarisa o abraçou e lhe pediu que fosse misericordioso e respeitasse a maha-prasada.

Durvasa então disse: “Antes de tudo, oro para que me salve da Sudarshana Cakra. O calor dela está me queimando.”

Ambarisa então disse: “Ó Senhor! Se tenho realizado alguma atividade devocional á Ti, por favor, salva este brahmana.”

Quando Ambarisa Maharaja pronunciou estas palavras, a chakra esfriou e regressou ao Senhor. Durvasa compreendeu então que os devotos são mais poderosos que o próprio Krishna. Krishna outorga todo seu poder aos vaishnavas, mas eles ocultam este fato e enganam os demais se apresentando como pessoas caídas. Trnad api sunicena – mesmo sendo muito poderosos, os devotos são também submissos, generosos e educados.

Assim, Durvasa Rsi tomou a maha-prasada e depois Ambarisa Maharaja também a honrou juntamente com sua família.

Vocês devem ser assim. Devem ser humildes e possuir uma fé firme no serviço devocional á Sri Krishna. Podemos dar nossa cabeça, nossa vida e alma para observar o ekadasi. Ekadasi é a mãe de prema-bhakti e ela nos protegerá. Srila Bhaktivinoda Thakura escreveu: “madhava tithi bhakti janani jatane palana kori.” Os dias sagrados como os dias de ekadasi é a mãe de prema bhakti. Devemos tentar segui-lo da forma mais pura possível. Não devemos comer nem tampouco beber muitas vezes nestes dias. Se possível, devem observa-lo sem sequer tomar um pingo de água (nirjala) ou tomando apenas um pouco de prasada uma vez no dia. Até mesmo as pessoas idosas que tem uma saúde fraca podem observar o nirjala-ekadasi (ekadasi no qual o bhakta não bebe nem come nada). Então, porque vocês que são tão jovens e fortes não podem observar nirjala? Devem tentar observar desta maneira. Mas, se jejuando assim, vocês esmorecem e ficam sonolentos, pouco servirá o nirjala. Nestes dias tão especiais, tentem se lembrar de Krishna, associen-se com os vaishnavas, leiam as escrituras e ofereçam orações dia e noite tal como he krishna karuna sindhu dina bandhu jagat patê gopesa gopika kanta radha kanta namo ´stu te. A observância do ekadasi outorga mais potência espiritual do que o brahma-jnana e o brahma-yoga-samadhi (meditação no aspecto impessoal do Senhor).

jaya ekadasi devi !

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