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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O Senhor Jagannatha e a travessa dourada



O Senhor Jagannatha e a travessa dourada

Bandhu Mohanti não era um brahmana, mas era um grande devoto do Senhor Jagannatha. Pobre como era, acreditava q o Senhor era o seu verdadeiro amigo e q sempre o ajudaria nas horas de necessidade.Bandhu costumava passar a maior parte de seu dia lendo a respeito do Senhor Jagannatha, esquecendo-se de sua esposa e filhos. Sua esposa sequer sabia q ele era um devoto do Senhor Jagannatha. Ela pensava q ele tinha um amigo por ali q se chamava Jagannatha e estava aborrecida porque o seu esposo costumava passar mais tempo com este amigo do q com ela e os filhos. Um dia ela perguntou:
_ Quem é este seu amigo? Bandhu respondeu:
_ Vc não sabe e nem pode saber. Ele é mto rico, e tem um grande prédio. Ele é um rei e Suas vestes, Seu comportamento, Seu estilo de vida, tudo dEle é majestoso. Ele é tbm mto bondoso.A esposa então pediu:
_ Podemos visitá-lo qquer dia?
O esposo comentou:
_ Como vc pode ir assim tão mal vestida? Se quisermos ir precisamos levar presentes bons, e as crianças tbm devem estar vestindo roupas novas. Vc precisa ir usando um colar de ouro e pulseiras, de outro modo o porteiro da casa do meu amigo pode não deixar a gente entrar. Como eu não tenho dinheiro para comprar estas coisas, eu não vou vê-Lo. No q ela respondeu:
_ Se este seu amigo é mesmo tão confiável e verdadeiro, ele irá respeitar vc e aceitá-lo do jeito q vc se vestir. Uma vez q vc é tão pobre, pq não se aproxima dele e pede uma ajuda? Bandhu Mohanti não prestava atenção no q a esposa dizia, e assim ela ficou mto irada com ele. Tempos ainda mais difíceis estavam chegando. A vila inteira vinha sofrendo da fome, pois não havia chovido naquele ano e mtos moreram de inanição. Era o ano de 1392, e como bandhu Mohanti, a maioria dos aldeões eram agricultores. Todos estavam mto preocupados. Bandhu costumava dizer:
_ Meu amigo é rico, e Se Ele desejar, nós podemos ser salvos.
E assim, sua esposa forçou-o a ir visitar este amigo.
Antes de escurecer Bandhu, sua esposa e seus 3 filhos partiram para Puri, a uns cinquenta quilômetros de distância. Eles compartilharam apenas alguns grãos de arroz com peregrinos q caminhavam pela estrada durante a noite.
Depois de 3 dias, eles chegaram a Puri. Bandhu Mohanti foi direto ao templo do Senhor Jagannatha, mas ja era meia noite e as portas estavam fechadas. Assim, eles descansaram em Pejanala, no lado sul do templo. Lá há uma bica onde as vacas vêm beber água da lavagem do arroz da cozinha do templo. A esposa perguntou ansiosa:
_ Se Ele é tão rico, será q está aqui em Puri? Onde é Sua casa? Qdo nós iremos até lá?
Bandhu respondeu:
_ Agora está bem perto.
Ele não queria dizer a ela q seu amigo era a Deidade de Jagannatha.
As crianças estavam famintas e choravam. Então a mulher deu aquela água da lavagem do arroz para as crianças, de onde as vacas vinham beber. Mais tarde foram dormir. Bandhu Mohanti tbm dormiu. Mas como a esposa estava mto ansiosa e preocupada com as crianças ela acordou sobressaltada. De repente viu um jovem brahmana trazendo vários tipos de comida numa travessa de ouro sobre sua cabeça. Ele se aproximou gritando:
_ Quem é Bandhu Mohanti? Onde está Bandhu Mohanti?
Ao ouvir isso a esposa disse em voz alta:
_ Hei! Estamos aqui! O q deseja?
O jovem brahmana sorriu misteriosamente e disse:
_ O amigo de bandhu Mohanti lhe mandou isso. Por favor, comam, q já vou indo. Tenho mta coisa para fazer.
A esposa não sabia o q dizer. Bandhu estava dormindo pessado e assim continuou. Ela achou q não seria bom acordá-lo depois de uma viajem tão longa. O jovem brahmana foi logo saindo, e ela não teve tempo para lhe perguntar nada. Ela aceitou toda a comida da travessa e acordou as crianças. Eles comeram bastante e voltaram novamente a dormir, com os estômagos satisfeitos.
Qdo bandhu Mohanti acordou, ela lhe contou tudo. Ele começou a chorar desesperado:
_ Por que vc não me acordou? Vc foi abençoada por tê-Lo visto. Eu fui incapaz de vê-Lo.
Sua mente estava alerta a magnitude do q acabara de acontecer com eles. A mulher não conseguiu entender nada.
Ela tinha a mente mais mundana, não podia compreender o profundo significado do incidente. Bandhu, em êxtase, comeu tudo o q sobrara na travessa e q fora deixado pelas crianças. E perguntou a si mesmo:
_ O q farei com esse prato de ouro?
Ele o lavou e com profunda devoção o colocou sobre o travesseiro naquela noite, com medo de ser roubado.Pela manhã, havia mta agitação dentro do templo. Uma valiosa travessa de ouro usada pelo Senhor Jagannatha havia desaparecido. O caso foi imediatamente comunicado a Virakisora, o rei de Puri, q era considerado o 'Jagannatha móvel' e a única autoridade nos assuntos do templo de Jagannatha.
A polícia pegou Bandhu Mohanti enqto ele dormia lá do lado de fora, junto ao muro do templo. A travessa foi devolvida ao templo e o rei estava prestes a punir severamente o larápio. A esposa de Bandhu e as crianças choravam e imploravam:
_ É tudo culpa do amigo rico de Bandhu Mohanti! - Dizia a mulher, tentando defender o esposo. Ele nada podia fazer além de chorar junto. Ele nunca poderia imaginar q esta calamidade acontecesse com eles! O rei anunciou q daria a sentença no dia seguinte. Nessa noite o rei teve um sonho miraculoso. O próprio Senhor Jagannatha apareceu em seu sonho, dizendo:
_ Ó rei, se um amigo vem até a Minha casa, não devo presenteá-lo com uma boa refeição? Bandhu Mohanti é Meu amigo, então q falha Eu cometi ao servi-lo numa travessa de ouro? Vc tbm vai Me condenar? por favor, solte-o imediatamente!
O rei ficou atônito ao ver o Senhor Jagannatha aparecendo-lhe em sonho e dizendo tudo isso. Ele mandou soltar Bandhu Mohanti imediatamente. Ele tbm ordenou q Bandhu e seus descendentes fossem admitidos como servos do templo. Até hj há descendentes de Bandhu Mohanti fazendo a primeira preparação do dia para o Senhor Jagannatha. É uma preparação de arroz doce e ghee, conhecida como khecheda. Depois de cozinhar esta prasada, Bhandu Mohanti teve o privilégio de levá-la e oferecê-la naquela mesma travessa de ouro das Deidades.
Depois q a comida era oferecida, ele liderava a procissão da.maha-prasada q ia ser distribuída aos devotos, levando a travessa de ouro na cabeça. Até hj há cozinheiros no templo com o sobrenome Mohanti q são descendentes diretos de Bandhu, e q ainda fazem este serviço.
O q é surpreendente é q Bandhu Mohanti não era um brahmana e nunca antes havia tido um serviço hereditário no templo. Hj, dos mais de 15.000 adoradores diários de Jagannatha no templo, só ele recebeu este privilégio. E ele só se considerava um amigo do Senhor Jagannatha.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

ANGAS BÁSICOS


SRAVANAM

O ouvir (Sravana) acontece quando as descrições transcendentais do santo nome, forma, qualidades e passatempos de Krsna entram em contato com os ouvidos. Há dois estágios de Sravana.

O primeiro estágio é ouvir as descrições das qualidades de Krsna na associação de Suddha-bhaktas antes de desenvolver Sraddha. Este tipo de Sravana cria fé, de forma que desenvolve um forte desejo de ouvir Sri-krsna-nama e Suas qualidades.

Após alguém ter desenvolvido tal fé, ouve os nomes transcendentais e qualidades de Krsna com grande avidez de Sri Guru e Vaisnavasque é o segundo tipo de SravanaSravana é um dos processos de Suddha-bhakti, e Sravana no estado aperfeiçoado é manifesta como o resultado de ouvir do guru e dos Vaisnavas no estágio de prática espiritual. Sravana é o primeiro anga de bhakti.

KIRTANA

Kirtana acontece quando Sri-hari-nama e as descrições de Sua forma, qualidades e passatempos entram em contato com a língua.

 Há muitas variedades de kirtana, tais como falar sobre os passatempos de Krsna, descrever Sri- krsna-nama, leitura dos Sastras para os outros, atrair outros para Krsna ao cantar sobre Ele, proferir orações para invocar Sua misericórdia, proclamar Suas glórias para outros, cantar bhajanas e orar para a Deidade, oferecer orações e assim por diante.

Kirtana é descrito como superior a todos os outros nove angas de bhakti, e isto é especialmente verdadeiro em Kali-yuga, quando somente kirtana pode conceder auspiciosidades para todos. Isto é declarado nos Sastras:

dhyayan krte yajan yajñais tretayam dvapare `rcayan
yad apnoti tad apnoti kalau sankirtya keSavam
Padma Purana, Uttara-khanda (72.25)

‘Tudo que era alcançado na Satya-yuga por meditação, na Treta-yuga por execução de yajña, e na Dvapara-yuga por adorar os pés de lótus de Krsna, também é obtido na era de Kali simplesmente por cantar e glorificar Sri Kesava.’

Nenhum outro método purifica o coração efetivamente tanto quanto hari-kirtana. Quando muitos devotos reali-am kirtana juntos, isto é chamado sankirtana.

SMARANAM

Lembrar dos nomes, forma, qualidades e passatempos de Krsna é chamado smaranam, o qual há cinco tipos.
Smaranam é a contemplação de algum assunto que foi ouvido previamente ou experimentado. Dharanasignifica fixar a mente em algum objeto particular e afastá-lo de outros ob­jetos. Dhyanam significa meditar em uma forma específica. Quando dhyanam é contínua como o fluxo da corrente de um precioso óleo, ela é chamada dhruvanusmrti, e samadhi é o estado no qual uma pessoa está alheia a realidade exter­na, e somente consciente dos objetos da meditação em seu coração.

Sravanam, kirtana smaranam são os três principais angas de bhakti, pois todos os outros angas estão incluídos dentro deles, e destes três angaskirtana é o melhor e o mais importante, porque Sravanam esmaranam podem ser incluídos nele.


De acordo com o Srimad-Bhagavatam (7.5.23):
Sravanam kirtanam visnoh smaranam pada-sevanam
arcanam vandanam dasyam sakhyam atma-nivedanam
‘Ouvir e cantar sobre o nome, forma e as qualida­des transcendentais de Sri Visnu, e assim por diante; lembrar-se delas; servir Seus pés de lótus; adorá-Lo com dezesseis tipos de parafernália; oferecer orações a Ele; tornar-se Seu servo; adotar o humor de ami-
zade com Ele; render tudo a Ele (em outras palavras, servi-Lo com o corpo, mente e palavras) – estes nove são aceitos como Suddha-bhakti.’

PADA-SEVA OU PARICAYA

O quarto anga de bhakti é realizar serviço (pada-seva ou paricaya). Pada-seva deve também ser realizado jun­to com Sravanam, kirtana smaranam. Deve-se realizar pada-seva com uma atitude humilde, entendendo que não está qualificado para o serviço. Também é essencial realizar que o objeto do serviço é sac-cid-ananda, a personificação de eternidade, conhecimento e bem-aventurança. Pada-seva inclui ver a forma da face da Deidade de Sri Krsna, tocá-La, circungirá-La, segui-La e visitar locais sagrados como o templo de Sri Bhagavan, o rio Ganga, Jagannatha Puri, Dvaraka, Mathura, Navadvipa e assim por diante.
SrilaRupa Gosvami apresentou isto de um modo muito cla­ro e vívido em sua descrição dos sessenta e quatroangas de bhakti. O serviço a Sri Tulasi e Suddha-bhaktas também estão incluídos neste anga.

ARCANA

O quinto anga é adoração (arcana). Há muitas con­siderações relacionadas a qualificação e métodos de adora­ção. Se a pessoa é atraída pelo caminho de arcana, mesmo após estar ocupado em Sravanam, kirtana e smaranam, ela deve realizar arcana após aceitar apropriadamente diksa-mantra de Sri Gurudeva.
Vrajanatha: Qual é a diferença entre o nama e o mantra?
Babaji: O nome de Sri Hari é a vida e a alma do mantra. Os rsis têm adicionado palavras tais como namah (reverências) para Sri-hari-nama, e revelaram seu poder es­pecífico. Sri-hari-nama por natureza nada tem a ver este mundo material, enquanto a jiva, por causa de suas várias designações corpóreas supridas por maya, é iludida pelos objetos compostos de matéria morta. Consequentemente, a fim de afastar a mente das jivas dos objetos dos senti­dos, diferentes princípios de arcana foram estabelecidos no caminho do serviço devocional regulado (maryada-marga). É essencial para as pessoas materialistas aceitarem diksa. Quando alguém canta o Krsna mantrasiddha-sadhya-su­siddha-ari não são considerados[1].
Iniciação no cantar exclusivo do Krsna mantra é extremamente benéfico para a jiva, pois de todos os dife­rentes mantras neste mundo, o krsna-mantra é o mais po­deroso. Um discípulo genuíno recebe força de Krsnaime­diatamente quando um mestre espiritual fidedigno inicia-o
neste mantra. Após a iniciação, Gurudeva educa o discípulo inquisitivo com relação à prática de arcana. Em resumo,
arcana-marga inclui observar o dia do aparecimento de Krsna, jejuar no mês de Karttika, observar EkadaSi, ba-
nhar-se no mês de Magha, e outras atividades semelhantes. Deve-se compreender que certamente é preciso adorar os bhaktas de Krsna, bem como o próprio Krsna no caminho de arcana.

VANDANAM

O sexto anga de vaidhi-bhakti é oferecer orações e reverências (vandanam). Isto é incluído como parte depada-seva kirtana, mas isto é ainda considerado como um anga separado de bhaktiEkanga-namaskara em si é chama­do de vandanamEkanga-namaskara e prestar reverências com as oito partes do corpo tocando o chão (astanga-namas­kara) são dois tipos de namaskara. É considerado ofensivo oferecer reverências com somente uma das mãos tocando o chão; oferecer reverências quando o corpo está coberto com tecido; oferecer reverências atrás da Deidade; oferecer prostradas reverências com o corpo apontando para a Deidade ou com o lado direito em direção a Deidade e por ofe­recer reverências no garbha-mandira (sala da Deidade).


DASYAM

 Executar serviço (dasyam) é o sétimo anga de bhakti. “Eu sou o servo de Krsna” – este ego ou concepção do eu é dasyam, e bhajana realizado com o sentimento de um servo é o mais elevado bhajanaDasyam inclui oferecer reverên­cias, recitar orações, oferecer todos os tipos de atividades, servir, manter conduta apropriada, lembrar-se e obedecer as ordens (katha-Sravanam).

SAKHYAM

O oitavo anga de bhakti é servir como um amigo (sakhyam), que inclui o humor amigável em relação a Krsna com atividades para o Seu bem-estar. Há dois tipos de
sakhyam: amizade em vaidhi-bhakti e amizade em raganuga- bhakti, mas o Sloka de Sri Prahlada refere-se avaidhanga-sakhyam; por exemplo, o sentimento de sakhyam enquanto serve a Deidade é vaidha-sakhyam.

ATMA-NIVEDANAM

O nono anga é conhecido como atma-nivedanam, que significa oferecer-se completamente – corpo, mente e o atma puro – para Sri Krsna. As características de atma-nivedanam são esforços exclusivos para Krsna; e ausência de atividades com interesse separado. É também característica de atma-nivedanam que a pessoa deve viver para  servir o desejo de Krsna, e manter seus desejos subordi­nados aos desejos dEle, assim como uma vaca que ao ser comprada não se preocupa com sua própria manutenção. štma-nivedanam em vaidhi-bhakti é descrito no SrimadBhagavatam (9.4.18-20), como segue:

sa vai manah krsna-padaravindayor
vacamsi vaikuntha-gunanuvarnane
karau haer mandira-marjanadisu
Srutim cakaracyuta-sat-kathodaye

‘Ambarisa Maharaja ocupou sua mente em servir os pés de lótus de Sri Krsna, suas palavras para descre­ver as qualidades de Sri Bhagavan, suas mãos para limpar o templo de Sri Hari, e seus ouvidos em ouvir os passatempos jubilosos de Acyuta.’

mukunda-lingalaya-darSane drSau tad-bhrtya-gatra-sparSe `nga-sangamam ghranam ca tad-pada-saroja-saurabhe Srimat-tulasyam rasanam tad-arpite

‘Ele ocupou seus olhos para ver a Deidade de Mu­kunda, diferentes templos, e os locais sagrados; todos os membros de seu corpo em tocar os corpos dos
bhaktas de Krsna; suas narinas em cheirar o aroma divino de tulasi oferecida aos pés de lótus de Krsna; e sua língua em saborear a prasada oferecida a Bhagavan.’

padau hareh ksetra-padanusarpane Siro hrsikeSa-padabhivandane kamam ca dasye na tu kama-kamyaya
yahottama-Sloka-janaSraya ratih

‘Seus pés eram sempre ocupados em caminhar nos locais sagrados de Bhagavan, e ele prestava reverên­ciasaospésdelótusde Sri Krsna. AmbarisaMaharaja oferecia guirlandas, sândalo, bhoga e parafernália si­milares no serviço a Bhagavan, não com o desejo de desfrute, mas para receber o amor de Sri Krsna que está presente em Seus Suddha-bhaktas.’


64 ANGAS DE BHAKTI
DESCRITOS POR SRI RUPA GOSVAMI
Capitulo 20 – pag. 579


Babaji sorriu e disse: “Primeiro ouçam atentamente. Recitarei os 64 angas de bhakti, como foram descritos por Sri Rupa Gosvami, os primeiros dez são os angas preliminares básicos:

1.  Aceitar abrigo aos pés de lótus de Sri Guru (guru-padasraya);
É essencial receber siksa de Sri Gurudeva a respeito de sambandha-jñana (relacionamento com Krsna),abhidheya-jñana (o processo do serviço devocional) e prayojana-jñana (a meta última).

Quando o discípulo está qualificado para a prática de krsna-bhakti pura, ele deve abrigar-se aos pés de Sri Guru, e ao se aproximar de um guru qualificado, ele aprenderá krsna-tattva. A jiva se qualifica para krsna-bhakti somente quando ela for digna de fé. Pela influência de atividades piedosas (sukrti) realizadas em nascimentos anteriores, ela ouvi hari-katha dos lábios dos sadhus, e desperta uma forte fé em Krsna. Isto é chamado sraddha. Junto com sraddha, a disposição para aceitar abrigo (saranagati) também aparece de alguma forma. Sraddha e saranagati são quase o mesmo tattva. O discípulo é qualificado para a bhakti exclusiva (ananya) se ele desenvolveu uma forte fé: “Certamente, krsna-bhakti é a melhor e a mais elevada meta a ser alcançada neste mundo. Portanto, aceitarei krsna-bhakticomo meu dever e, com esse propósito farei o que for favorável, e rejeitarei todas as atividades que forem desfavoráveis. Krsna é o meu único protetor, e eu o aceito como meu guardião exclusivo. Sou muito mi­serável, desprovido e desventurado, meu desejo de indepen­dência não é benéfico para mim. Ao seguir exclusivamente o desejo de Krsna, isto será benéfico para mim sob todos os aspectos.”

Há dois tipos de guru: diksa-guru e siksa-guru. Alguém tem que aceitar diksa do diksa-guru; ao mesmo tempo, alguém tem que receber siksa concernente à arcana (adoração à Deidade). Há um diksa-guru, mas podem existir vários siksa-gurus. O diksa-guru também é competente para agir como siksa-guru. (capitulo 20 pag. 586)


2.  Receber iniciação e instruções de Sri Guru (guru-diksa e siksa);
3. Servir Sri Guru com fé (visvasa-purvaka guru-seva);
4. Seguir o caminho delineado pelos sadhus;
5. Indagar sobre sad-dharma ou os procedimentos do bhajana;
6. Renunciar todos os desfrutes dos objetos dos sen­tidos para Krsna;
7. Residir em dhamas, tais como Dvaraka, e próximo de rios sagrados tais como o rio Ganga e o rio Yamuna;
8. Aceitar dinheiro e outras facilidades apenas o sufi­ciente e necessário para sustentar vida;
9. Respeitar Ekadasi, Janmastami e outros dias rela­cionados a Hari;
10. Oferecer respeitos a asvattha, amalaki e outras árvores sagradas;

Os próximos dez angas adotam a forma de proibições:

11. Abandonar toda a associação daqueles que são aversos a Krsna;
12. Não aceitar pessoas sem qualificação como discípulos;
13. Renunciar esforços pretensiosos, tais como festi­vais pomposos, etc.;
14. Refrear a leitura e a recitação de muitos livros, e de fazer interpretações insólitas do sastra;
15. Evitar o comportamento mesquinho nos relacion­amentos práticos;
16. Não se influenciar por emoções, tal como lamen­tação;
17. Não desrespeitar ou blasfemar os semideuses – devatas;
18. Não molestar a nenhuma jiva;
Sri Krsna é muito rapidamente satisfeito com aquele que tem compaixão para com outras jivas, e que não causa a elas qualquer tipo de ansiedade através do corpo, mente e palavras. Compaixão é o dharma principal dos Vaisnavas. Capitulo 20 – pag. 597

19. Abandonar completamente as ofensas no seva (seva-aparadha) e no cantar de sri-hari-nama (nama-aparadha);
20. Não tolerar blasfêmias a Bhagavan e a Seus bhaktas.

Você deve entender que estes vinte angas são a entrada do templo de bhakti, e os três primeiros – abrigar-se aos pés de lótus de sri-guru, aceitar diksa e siksa do guru, e servi-lo com fé – são as atividades principais.

Depois disso são as seguintes:
Os demais quarenta e quatro angas estão incluídos nos vinte angas que eu acabo de descrever. Eles foram apresentados como angas diferentes para serem explicados em detalhes.
Os trinta angas desde o item 21 (aceitar os símbolos de um Vaisnava) até o item 50 (oferecer o que nos é mais querido para Krsna) estão incluídos no caminho da adoração (arcana) à Deidade:


21. Adotar os sinais externos (como tilaka) de um Vaisnava;
22. Usar as sílabas de sri-hari-nama no corpo;
23. Aceitar os remanentes de vestuários, guirlandas e outras coisas que tenham sido oferecidas a Deidade;

O Srimad-Bhagavatam (11.6.46) recomenda que nós aceitemos os remanentes da Deidade (nirmalya):
tvayopabhukta-srag-gandha-vaso-lankara-carcitah ucchistha-bhojino dasas tava mayam jayema hi
Ao usar os remanentes das guirlandas, pastas de sândalo (candana), roupas e jóias que foram usados por Você, e aceitar os remanentes de Seus alimentos, nós como Seus servos certamente seremos vitoriosos sobre Sua maya

24. Dançar em frente da Deidade;
25. Oferecer dandavat-pranama para Sri Guru, Vaisnava e Bhagavan;
26. Levantar-se respeitosamente ao receber o darsana de Hari, Guru e Vaisnavas e saudá-los;
27. Seguir a Deidade em procissão;
28. Visitar os templos de Sri Bhagavan;
29. Circumgirar (parikrama) o templo
30. Realizar a adoração da Deidade (puja e arcana);
31. Servir Sri Krsna como a um rei (paricarya);
32. Cantar;
33. Executar o canto congregacional dos santos nomes de Sri Krsna (Nama e nama-sankirtana);
34. Executar o japa dos gayatri-mantras nos três sandhyas, após fazer acamana;
35. Oferecer preces submissas e orações;
36. Recitar bhajanas ou mantras em louvor a Sri Krsna;
37. Saborear bhagavat-prasada;
38. Tomar sri-caranamrta (o néctar que lava os pés de lótus de Sri Krsna);
39. Cheirar a fragrância do incenso, guirlandas e ou­tras coisas oferecidas a Sri Krsna;
40. Tocar a Deidade;
41. Ver (darsana) sri murti com muita devoção;
42. Ter darsana do arati e de festivais, etc.;
43. Ouvir sobre os nomes, formas, qualidades, passa­tempos, e etc., de Sri Hari;
44. Aspirar sempre à misericórdia de Krsna;
45. Contemplação (smaranamn- dentro da mente) do nome, forma, qualidades e passatempos de Sri Krsna;
46. Meditação (Meditar completamente no nama, rupa, guna,lila de Krsna, e oferecer serviço na mente (manasi-seva).  
47. Servidão;
48. Amizade; ; (Há dois tipos de sakhyam: o que está baseado na fé (visvasa), e o que está baseado na atitude de amizade (maitri).

49.
).



49. Rendição (atma-samarpana);
O significado da palavra atma-nivedanam vem da palavra atma. Daí derivam os dois princípios do egoísmo da alma personificada, a saber, apego a dehi (possuidor do corpo) na forma de ahamta (conceito do eu) e apego ao deha (corpo) na forma de mamata (conceito de posse). atma-nivedanam significa oferecer estes dois princípios a Sri Krsna.

A jiva dentro do corpo é chamada dehi (cor­porificada) ou aham (eu). Agindo com a falsa concepção do “eu” é chamada dehi-nistha ahamta (atração por coisas conectadas com o corpo); e a consciência de posse do corpo ou coisas que estejam relacionadas a ele é chamada deha-nistha mamata (atracão por coisas conectadas com o corpo). Estes dois conceitos de ‘eu’ e ‘meu’ são ambos oferecidos a Krsna.atma-nivedanam significa renunciar a consciência de ‘eu’ e ‘meu’, e cuidar do corpo com a consciência: “sou um servo de Krsna, honro prasada de Krsna e utilizo meu corpo a serviço de Krsna.”

50. Oferecer a Krsna itens muito apreciados;
51. Executar sempre atividades para o prazer de Krsna;
52. Render-se completamente (saranagati) aos pés de lótus de Sri Krsna;
Aceitar abrigo completo (saranagati) significa expressar o sentimento mentalmente e em voz alta: “Ó Bhagavan, eu sou Seu!” (he bhagavan tavaivasmi!) e “Ó Bhagavan! Aceito Seu abrigo!” (he radhe! he krsna! tavaivasmi!).

53. Servir a Tulasi-devi;

Há nove maneiras de executar tulasi-seva: ter darsana de Tulasi, tocar Tulasi, lembrar-sede Tulasi, fazer kirtana de Tulasi, oferecer reverências a Tulasi, ouvir as glórias e passatempos de Tulasi, plantar Tulasi, cuidar de Tulasi, e fazer adoração (nitya-puja) diária à Tulasi.

54. Respeitar o Srimad-Bhagavatam e outros bhakti- sastras;
55. Ouvir e cantar as glórias do dhama de Sri Hari e Seus locais de Aparecimento, como Mathura, e cir­cungirá-los;
56. Servir aos Vaisnavas;
57. Celebrar os festivais relacionados a Sri Krsna em reunião com sadhus, de acordo com os meios;
58. Observar o voto de caturmasya e especialmente niyama-seva no mês de Karttika;
59. Celebrar o festival do dia do Aparecimento de Sri Krsna;
60. Sraddhaya sri-murtir sevana – servir a Deidade com fé;
61. Bhagavat-sravana – apreciar o significado do Srimad-Bhagavatam na associação de rasika Vaisnavas;

O Srimad-Bhagavatam é o mais doce rasa da árvore dos desejos dos Vedas. Pela associação com pessoas aversas ao rasa, alguém será incapaz de saborear o Srimad- Bhagavatam e o resultado será aparadha. A pessoa deve saborear o rasa dos slokas do Srimad-Bhagavatam na asso­ciação daqueles que são rasa-jña, que são versados, e estão bebendo este rasa, e que são qualificados para suddha-bhakti. Falar ou ouvir o Srimad-Bhagavatam em reuniões comuns não irá conceder bhakti pura.
62. Sadhu-sanga – associar-se com bhaktas que possuem o mesmo humor, que são afetuosos, e mais avançados do que nós (svajatiya-susnigdha-sadhu-sanga);

A associação com abhaktas (não-devotos) em nome de sat-sanga não irá trazer elevação em bhakti. A meta que os bhaktas desejam é obter o serviço na lila imanifesta (aprakrta) de Krsna, e aquele que tem este desejo deve ser reconhecido como um bhakta. A elevação em bhakti surge da associação com membros deste grupo de bhaktas que são mais avançados. Sem esta sanga, o desenvolvimento de bhakti pára, e adquire-se a natureza da classe da pessoa com a qual se tem sanga. Em relação à sanga o Hari-bhakti-sudhodyaya(8.51) diz:

yasya yat-sangatih pumso manivat syat sa tad-gunah sva-kularddhye tato dhiman sva-yuthany eva samsrayet
Do mesmo modo como uma jóia reflete as cores dos objetos ao redor dela, similarmente, a natureza de uma pessoa torna-se semelhante à daqueles com quem ela se associa.
Por isso, a pessoa somente se torna um sadhu puro pela associação com sadhus puros. Sadhu-sanga (a associa­ção de bhaktas avançados) é benéfica de todas as maneiras. Quando o sastra aconselha que se deve estar livre de companhia mundana, o significado é que se deve associar com sadhus.

63. Nama-sankirtanam – cantar krsna-nama congre­gacionalmente em voz alta;

Nama é aprakrta-caitanya-rasa (um estado de doçura transcendental), e dentro do nama não há nenhum vestígio de consciência mundana. Quando a jiva devotada se purifica através de bhakti e oferece serviço a sri-hari-namasri-nama pessoalmente manifesta-se em sua língua. Nama não pode ser abtido com sentidos materiais. Assim é como deve ser realizado incessantemente nama-sankirtana, sozinho ou acompanhado.

64. Mathura-vasa – residir em dhamas, como Mathura e Vrndavana.

ESTES CINCO ÚLTIMOS SÃO OS MAIS EXALTADOS ANGAS

Entre os 64 angas, estes cinco últimos são os mais exaltados. Ao se estabelecer mesmo uma leve co­nexão com estes angas e manter-se distante das ofensas, então o estado de bhava se manifestará devido à influência maravilhosa e ilimitada destes.

o principal fruto de todos estes angas é desenvolver atração por Krsna. Todas as atividades de uma pessoa que é esclarecida e experta em bhakti, deve estar dentro dos angas de bhakti, e não dentro dos angas de karma. A prática do conhecimento (jñana) e renúncia (vairagya) pode algumas vezes auxiliar a pessoa a entrar no templo de bhakti, mas jñana e vairagya não são angas de bhakti, porque eles deixam o coração duro, en­quanto que bhakti é muito suave e terna por natureza. Os bhaktas aceitam jñana e vairagya que se manifestam es­pontaneamente através da prática de bhakti, mas jñana e vairagya não podem ser a causa de bhakti, e bhakti facil­mente concede resultados que o conhecimento e a renúncia não podem dar.
Às vezes bhakti é usada para obtenção de riqueza, discípulos e assim por diante, mas isto está longe da bhakti pura. De fato, tal demonstração de bhakti não é realmente um anga de bhakti em absoluto. A discriminação (viveka) e outras qualidades também não são angas de bhakti; elas são qualidades dos praticantes de bhakti. Similarmente, yama, niyama, boa conduta, limpeza, e assim por diante estão naturalmente presentes nas pessoas que são favoráveis a Krsna, assim elas também não são angas de bhakti. As qualidades tais como pureza interna e externa, austeridade e controle dos sentidos abrigam-se naturalmente nos bhak­tas de Krsna; os bhaktas não precisam esforçar-se separa­damente para adquiri-las. Alguns dos angas de bhakti que mencionei são angas principais, e a perfeição é alcançada por firmemente executar sadhana de algum destes angas principais, ou vários deles. Expliquei tudo sobre vaidhi- sadhana-bhakti de uma maneira breve. Agora, vocês devem entender isto claramente, colocar em seus corações, e praticar com firmeza.

1  - Aceitar abrigo aos pés de lótus de Sri Guru (guru-padasraya);

Há dois tipos de guru: diksa-guru e siksa-guru. Alguém tem que aceitar diksa do diksa-guru; ao mesmo tempo, alguém tem que receber siksa concernente à arcana (adoração à Deidade). Há um diksa-guru, mas podem existir vários siksa-gurus. O diksa-guru também é competente para agir como siksa-guru. (capitulo 20 pag. 586)
yo vyaktir nyaya-rahitam anyayena srnoti yah tav ubhau narakam ghoram vrajatah kalam aksayam
Hari-bhakti-vilasa (1.62)

Aquele que se passa por acarya , mas dá falsas instruções que são opostas aos sattvata-sastras, irá residir em um terrível inferno por um ilimitado período de tempo, e também irão os discípulos desencaminhados que erroneamente ouvem tal falso guru.
guror apy avaliptasya karyakaryam ajanatah utpatha-pratipannasya parityago vidhiyate Mahabharata Udyoga-parva (179.25) e Narada-pañcaratra (1.10.20)
É dever do discípulo abandonar um guru que não ensina o que ele deve e o que não deve fazer, e que segue o caminho errado, por causa de má associação ou porque ele se opõe aos Vaisnavas.

 

[1] Veja nota de rodapé no final do capítulo

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