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sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Radharani, o Lado Feminino de Deus

Giridhari Das

Para devotos@googlegroups.com, amigosdekrishna@yahoogroups.com
Do Blog Volta ao Supremo. Cortesia BBT Brasil. Leia outros artigos em www.voltaaosupremobr.wordpress.com.

Radharani,
o Lado Feminino de Deus


Satyaraja Dasa

O entendimento vaisnava da Verdade Absoluta responde à pergunta: “Deus é masculino ou feminino?”.

A compreensão vaisnava da Verdade Suprema fornece uma resposta satisfatória para a pergunta “Deus é masculino ou feminino?”.

Essência da beleza e da relação,
Quintessência da compaixão e bem-aventurança,
Corporificação da doçura e do brilho,
Epítome da arte, da graciosidade no amor:
Que minha mente se refugie em Radha,
A quintessência de todas as essências.

– Prabodhananda Sarasvati

Minha irmã Carol se tornou uma feminista radical nos últimos anos. Eu acompanhei seu desenvolvimento. Depois de ter devorado um livro após o outro sobre patriarcalismo e sociedades construídas por machistas, ela veio me procurar – seu irmão, que adora um Deus “masculino” –, vítima de filósofos sexistas, ludibriado por homens sem consideração pelas mulheres. Em outras palavras, ela sabia que eu adorava Krsna, que é claramente masculino, e isto era suficiente para ela me colocar em pé de igualdade com aqueles que diminuem as mulheres. Ela ficou um pouco confusa, todavia, quando viu que eu não a contra-ataquei como machista, e, apesar de minha adoração a um Deus masculino, eu não diminuía as mulheres. Ela se deu conta que eu era lúcido demais para ser confrontado diretamente.

“Por que você adora aquele garoto azul Krsna?”, ela perguntou. “Por que você imagina Deus como masculino? Por que não imaginar Deus como feminino?”.

“Bom”, eu respondi rápido e irritado, como se uma conversa de dois minutos pudesse resumir a perspectiva teológica de uma pessoa: “Ele é Deus”. “E além do mais”, eu adicionei, “nós não imaginamos Deus como queremos. Aprendemos sobre Ele a partir das fontes autorizadas, as escrituras, sejam os Vedas, da Índia, ou escrituras ocidentais, como a Bíblia e o Corão”.

“Como você pode saber?”, ela perguntou. “Talvez esses livros estejam enrolando você. Eu diria que Deus teria de ser a mulher suprema, com toda a sensibilidade e elegância que isso implica”.

“Mas isso não é sexismo, apenas vindo da direção oposta?”.

Eu esperei que aquela pergunta a fizesse pensar duas vezes.

“Se, por fim, Deus fosse a mulher suprema, isso não deixaria o homem fora da equação? Não se estaria dizendo que a forma da mulher é melhor do que a forma do homem? Você seria culpada por aquilo que você culpa a religião patriarcal”.

Depois de uma pausa, ela retrucou: “Mas você continua dizendo que Deus é homem...”.

“Primeiramente”, eu a interrompi, “de acordo com a consciência de Krsna, Deus é tanto masculino quanto feminino. Não é uma visão mais igualitária de Deus?”.

“Bom, talvez – se for verdade”, ela disse ainda descrente de uma tradição (e de um irmão) que ela havia se treinado para ver como sexista.

“Veja bem”, eu disse, “Krsna é descrito como Deus na literatura védica porque Ele tem todas as qualificações de Deus. Por que você sabe que o presidente dos Estados Unidos é o presidente? Porque ele tem as qualificações do presidente. Ele tem certas credenciais. Não é que você possa simplesmente ‘imaginar’ que alguém é o presidente e então – puf! – ali está o presidente. Não. Assim, se você estudar Krsna seriamente, você verá que Ele possui todas as opulências: força, beleza, riqueza, fama, conhecimento e renúncia. Qualquer um que tenha todas as essas qualidades em plenitude é Deus”.

Ela estava ficando agitada. Ela já me ouvira falar aquela definição de Deus e pensou que eu estava fugindo do assunto de Deus ser feminino.

“Mas a consciência de Krsna vai além”, eu continuei. “Radharani é a manifestação feminina de Deus. Ela é a mulher suprema. Então, vemos Deus tanto como masculino quanto como feminino”.

A Carol sorriu. Ela tinha uma carta atrás da manga.

“Se vocês reconhecem que Deus é tanto masculino quanto feminino, por que o principal mantra de vocês – aquela oração que você canta o tempo todo – é focado em Krsna, o aspecto masculino de Deus?”.

O “Ela” do Maha-mantra

O que minha irmã não sabia era que o maha-mantra é uma oração primeiro a Radha, e depois a Krsna.

“Você conhece o mantra que eu canto, sobre o qual você está falando?”

Descrição: harekrishnamantraweb

Ela o recitou: “Hare Krsna, Hare Krsna, Krsna Krsna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare”.

Eu fiquei feliz em ver que ela sabia o mantra.

“Você sabe o que significa Hare?”.

“Não”, ela admitiu.

“É uma forte súplica a Radha. Por ‘Hare’, nós nos referimos à mãe Hara, outro nome de Radha, de forma suplicante. ‘Hare’ é a forma vocativa de ‘Hara’. Basicamente, o mantra está pedindo à mãe Hara, Radha, que ‘por favor, ocupe-me no serviço ao Senhor’”.

“Quer dizer que o cantar de Hare Krsna é uma oração à forma feminina de Deus?”.

“Perfeito”.

Aquilo chamou sua atenção.

“Diga-me uma coisa”, ela disse com sua crescente curiosidade, “o que significa a palavra ‘Radha’?”.

“Significa ‘aquela que melhor adora Krsna’”.

“Aha!”, minha irmã disse com o dedo indicador em riste. “Então Radha não é Deus. Se Ela é a melhor adoradora de Krsna, ela é obrigatoriamente distinta dEle!”.

Descrição: TA0947

“Isso não é verdade”, eu disse. “Deus é a pessoa que faz tudo melhor. Como Krsna diz no Gita, Ele é o primeiro e o melhor em todos os campos. Das montanhas, Ele é o Himalaia; dos corpos d’água, Ele é o oceano, e assim por diante. Então, dos adoradores dEle, Ele também é o melhor – a melhor. Quem poderia adorar Krsna melhor do que Ele mesmo? Ninguém. Dessa maneira, Ele Se manifesta como Radha, Sua forma feminina, e mostra que Ele é Seu melhor adorador. Como Radha, Ele é o Deus adorador, e, como Krsna, Ele é o Deus adorado. Ambos igualmente excelentes”.

“Hmm. Fale-me mais”, ela disse.

“Tudo bem, mas pode ficar um pouco técnico”, eu disse. “Do ponto de vista vaisnava, ou da consciência de Krsna, a energia feminina divina (shakti) implica uma fonte de energia divina (shaktiman). Assim, quando a deusa se manifesta nas várias tradições vaisnavas, ela sempre tem uma contraparte masculina. Sita se relaciona com Rama; Laksmi corresponde a Narayana; Radha com Krsna. Uma vez que Krsna é a origem de todas as manifestações de Deus, Sri Radha, Sua consorte, é a fonte de todas as shaktis, ou energias. Ela é, portanto, a Deusa original”.

“O vaisnavismo pode ser visto como uma espécie de shaktismo, no qual a purna-shakti, a mais completa forma da energia feminina divina, é adorada como o aspecto mais proeminente da divindade, até mesmo eclipsando o Supremo masculino em alguns aspectos. No sri vaisnavismo, por exemplo, Laksmi (uma expansão primária de Sri Radha) é considerada a divina mediatriz, sem a qual o acesso a Narayana não é possível. Em nossa tradição da consciência de Krsna, Radha é aceita como a Deusa Suprema porque Ela controla Krsna com Seu amor. Vida espiritual perfeita só é obtenível por Sua graça”.

“Na tradicional literatura vaisnava, Krsna é comparado ao Sol, e Radha, ao brilho solar. Ambos existem simultaneamente, mas um vem do outro. Ainda assim, dizer que o Sol existe antes do brilho solar é incorreto – tão logo existe Sol, existe brilho solar. E o mais importante: o Sol não tem significado sem brilho solar, sem calor e luz. E calor e luz não existiriam sem o Sol. O Sol e o brilho solar, portanto, coexistem, um igualmente importante para a existência do outro. Pode-se dizer, então, que são simultaneamente unos e distintos. Eles são, em essência, uma única entidade – Deus – que se manifesta como dois indivíduos distintos com o objetivo de se relacionarem interpessoalmente.

“Deixe-me ler algo sobre isso para você no Caitanya-caritamrta [Adi-lila 4.95-98]: ‘O Senhor Krsna encanta o mundo, mas Sri Radha encanta até mesmo Krsna. Assim, Ela é a Deusa Suprema de tudo. Os dois não são diferentes, como evidenciam as escrituras reveladas. E, ao mesmo tempo, são unos, assim como o almíscar e sua essência são inseparáveis, ou como o fogo e seu calor não são diferentes. Enfim, Radha e Krsna são um, embora tenham aceitado duas formas para desfrutarem de um relacionamento”.

“Mas Krsna continua sendo a fonte. Ele é predominante”.

“Apenas em um sentido”, eu disse. “Em termos de tattva, ou ‘verdade filosófica’, Ele é predominante. Em termos de lila, ou ‘divinas atividades amorosas’, entretanto, Radha predomina sobre Ele. E lila é algo considerado mais importante do que tattva”.

Carol estava deslumbrada.

“Eu não tinha a menor ideia de tudo isso”, ela disse.

“Poucas pessoas têm”, eu disse a ela. “É por isso que os devotos trabalham duro na distribuição dos livros de Prabhupada – queremos que este conhecimento seja de todos”.

Carol me prometeu que iria começar a experimentar o maha-mantra e que nunca mais julgaria prematuramente uma religião, especialmente a consciência de Krsna. Também me pediu por uma oração que se focasse na posição suprema de Radharani, algo que ela pudesse cantar para se lembrar de que a consciência de Krsna reconhece – até mesmo enfatiza – uma forma feminina de Deus. Eu pensei por um instante e, então, compartilhei com ela um mantra composto por Bhaktivinoda Thakura, um grande mestre espiritual do começo do século XX:

atapa-rakita suraja nahi jani
radha-virahita krishna nahi mani

“Assim como não há tal coisa como Sol sem calor e luz, eu não aceito um Krsna que está sem Sri Radha!”. (Gitavali, Radhashtaka 8)

Carol estava deslumbrada. Ela me revelou em confidência que há muito orava por uma tradição religiosa que não fosse sexista, que reconhecesse uma forma feminina do Divino. É claro que ela não estava plenamente convencida que Radha era essa religião, mas ela já estava, agora, desejosa de ouvir, já se abrira um pouco à consciência de Krsna. Ela estava inclinada a começar com as práticas de base, como o cantar e a leitura dos livros de Srila Prabhupada. Ali estava uma tradição que finalmente parecia atender a sua demanda, que satisfaria suas necessidades feministas. Radharani era o sonho da minha irmã que se tornava realidade – a resposta a uma prece feminista.

A Melhor das Gopis

Sri Radha é, dentre todas as gopis – vaqueiras namoradas do Senhor Krsna – a original. Ela é capaz de comprazer a Krsna com apenas um olhar de relance. Ainda assim, Radha sente que Seu amor por Krsna pode se tornar sempre mais grandioso, portanto Ela se manifesta como as diversas gopis de Vrndavana, que satisfazem o desejo de Krsna por relacionamentos ricos em variedade (rasa).

Descrição: TA0052

As gopis são consideradas o kaya-vyuha de Sri Radha. Não existe uma palavra nas línguas modernas equivalente a este termo, mas ele pode ser explicado da seguinte maneira: Se uma pessoa pudesse existir simultaneamente em mais de uma forma humana, aquelas formas seriam chamadas o kaya (“corpo”) vyuha (“multiplicidade de”) daquele determinado indivíduo. Em outras palavras, é a mesma pessoa, mas ocupando diferentes espaços e tempos com diferentes humores e emoções. Como a única razão da existência de Radha e Krsna é a troca de sentimentos amorosos, as gopis existem para auxiliá-lOs nesse amor.

Descrição: TA0022

As gopis são divididas em cinco grupos, o mais importante sendo o parama-preshtha-sakhis, as oito gopis primárias: Lalita, Vishakha, Citra, Indulekha, Campakalata, Tungavidya, Rangadevi e Sudevi. Muitos detalhes de suas vidas e serviço – incluindo a idade, o humor, o aniversário, temperamento, instrumento, cor da pele, nome dos parentes, melodia favorita, melhores amigas e outras informações de cada uma delas – são descritos nas escrituras vaisnavas. Esses elementos formam a substância de uma meditação interna, ou sadhana, projetada de forma a levar o devoto para o reino espiritual. Através desta meditação, gradualmente se desenvolve prema, amor por Krsna. Essa forma avançada de contemplação, todavia, deve ser feita apenas por devotos avançados sob a guia de um mestre autêntico. Tal nível é raramente alcançado. É, portanto, recomendado que se pratique o cantar do santo nome e que se aceite o caminho regulado de vaidhi-bhakti – ou a prática da devoção sob estritas regras e regulações – como é ensinado no movimento para a consciência de Krsna. Assim se alcançará naturalmente o nível mais elevado de consciência espiritual.

A tradição vaisnava na linha do Senhor Caitanya vê, claramente, o amor das gopis como amor transcendental da mais alta estirpe, retaliando acusações de sexualidade mundana com claras definições distinguindo luxúria e amor. Assim como o conceito da Noiva-de-Cristo na tradição cristã e o conceito cabalístico do Divino Feminino do misticismo judaico, a verdade por trás do amor das gopis é de profunda natureza teológica e constitui o zênite da compreensão espiritual. O amor das gopis representa o amor mais puro que uma alma pode ter por sua origem divina; a única relação que tal amor talvez tenha com a luxúria mundana é a aparência, aparência esta que é desfeita tão logo se estude os livros deixados pelas autoridades puras e autorrealizadas acerca destes tópicos tão queridos ao coração.


Leia mais sobre Radharani e as gopis nas obras:

Descrição: file_44  Descrição: file_1_16

Veja mais pinturas de Radharani em:

Descrição: kcom-logo

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Meu Guru é Radharani (Srila Gaura Govinda Swami Maharaj)


http://bvml.org/SGGM/

Nessa linha, em nosso guru-parampara Krsna está no topo, mas Krsna diz,


radhikara prema-guru, ami-sisya nata

sada ama nana nrtye nacaya udbhata

(Caitanya-caritamrta Ad 4.124)


“Meu guru é Radharani,” Krsna diz. “Quanto aos assuntos amorosos Meu guru é Radharani, então Ela sempre me faz dançar de acordo com o Seu tom.”

Então quem está no patamar mais elevado de guru? Esta pessoa é Radharani. Então embora em nosso guru-parampara a posição mais elevada é de Krsna, Ele diz, “Radharani é Meu guru em assuntos amorosos e Ela me faz dançar de acordo com o Seu tom. Eu dançarei, Eu dançarei. Amo-sisya anta, Eu sou Seu discípulo e nata, dançarino.” O guru faz o discipulo dançar, “Vá lá, venha cá, suba desça, suba desça.” O Guru pode fazer o discípulo dançar então Krsna diz, “Radharani é Meu guru nos assuntos amorosos e Ela sempre Me faz dançar de acordo com o Seu tom. Eu estou dançando de acordo com o tom dela. Meu guru é Radharani.”

Então no guru-parampara a posição mais elevada é Radharani. Isso é guru-tattva.

Aqueles que aceitam vraja-seva-adhikara, o direito de servir Krsna em Vrajabhumi, eles são servos de Radhanatha.

E Gaurasundara é radha-bhava-dyuti-suvalitam. Radha-bhava é predominante em Gaurasundara.

gaura anga nahe mora- radhanga-sparsana

vrajendra-suta vina tenho na sparse anya-jana

(Caitanya-caritamrta M. 8.287)


E o que ele disse? Essa é a sua própria declaração:

“Esse não é o corpo de Gaura, esse é o corpo de Radha,” Gaura disse essas coisas. “Apenas Vrajendra-suta, o filho de Nanda Maharaja pode tocar esse corpo. Ninguém mais pode tocar esse corpo.”

Então radhabhava é predominante em Gaura. Em nosso guru-parampara quando Gaura surge então Radha surge. Este guru-parampara em que Gaura aparece é o parampara de Radha. Isto é guru-tattva, porque em Gaurasundara radhabhava é predominante. Então aqueles que são gauranugas, seguidores de Gaura, eles são radhanugas, porque radhabhava é predominante em Gaura, isto é gaudiya-guru-dhara.


Mantenha Gauranga em seu coração


Mahaprabhu é tão misericordioso.

uttma adhama kichu na bachila jachie dilaka kola

kahe premananda emana gauranga hrdaya dharia bola


Nós cantamos isso anteriormente lendo Caitanya-caritamrta. Mahaprabhu nunca discrimina, seja alguém uttama ou adhama, o mais elevado ou o mais degradado. Ele nunca discrimina. Ele oferece e abraça, “Por favor, venha para o Meu abraço, por favor, venha para o Meu enlaçar.” Tal personalidade é Gauranga. Premananda dasa Thakura diz, “Mantenha esse Gauranga em seu coração, hrdayetu sacinandana.”

Da mesma forma, também é dito:


Bhaja gauranga kaha gauranga laha gauranga nama re

Je jana gauranga bhaje sei hoy amara prana re


Premananda dasa Thakura canta, “Profira o nome de Gauranga, canta o nome de Gauranga, fale sobre Gauranga. Aquele que faz bhajan a Gauranga, ele é a minha vida e alma.”

Então, Gauranga é Krsna, mas Krsna desenvolveu anseio em entender e saborear radha-prema, o amor experimentado por Radharani. Por isso saci-garbha-sindhau, Ele apareceu do ventre de sacimatha, para satisfazer esses três desejos, três tipos de anseios. Este é Sacinandana Gauranga.

Radhayah pranaya-mahima kdrso. “O que é o amor de Radharani?”

Svadyo yenabhuta-madhurima krso va. “Radharani saboreia Minha beleza.” A beleza de Krsna é madhurya.

“O que é a Minha beleza?”

Como pode alguém saborear sua própria beleza? Você pode ver a sua própria face? Então como você pode saboreá-la?

“Como Eu posso entender,” Krsna pensa. É impossível para Krsna. E o terceiro, saukhyam casya mad-anubhavatah kidrsam veti lobhat.

“Que sukha, felicidade, Radharani tem por saborear a Minha beleza e como Eu posso entender isso?”

Esse é o desejo, o anseio que Krsna desenvolveu, e ele se mantêm insatisfeito na Krsna-lila.

Por isso é dito, pelas próprias palavras de Krsna, e Kaviraja Gosvami escreveu essas palavras no Caitanya-caritamrta (Adi 4.126),

nija-premasvade mora haya ye ahlada

taha ha´te koti-guna radha-premasvada


“O ahlada, prazer que Eu tenho por saborear Meu próprio prema é grande, mas por saborear radha-prema, o prazer é milhares e milhares de vezes maior.”

Krsna é raservisaya, Ele é visaya-vigraha. Todos devem entender isso. Esse é um linguajar especifico, vaisnava-bhasa. Nós dizemos repetidamente que todos devem conhecer essa bhasa, linguagem, pari-bhasa, a linguagem da filosofia Vaisnava.

Você é o estudante, então como você pode se tornar um estudante? Vá embora daqui! Eu vou não mais admiti-lo nessa classe. Vá embora, vá embora! Você não está preparado para ser admitido nessa classe. Como pode você ser admitido nessa classe de pós-graduação? Você deve saber a linguagem!

Rasarvisaya e raserasraya, visaya-vigraha e asraya-vigraha. Em inglês seria o desfrutador e o desfrutado, mas eu não estou satisfeito com essa tradução. Não há palavra em inglês para isso, então você deve entender. Saukhyam casya-mad anubhavatah kidrsam veti lobhat. Essa é a sukha, felicidade que a asraya experimenta e Radharani é a mais elevada asraya. Krsna é visaya-vigraha e todos os devotos são asraya-vigraha. Radharani é a devota mais elevada, por isso Ela é a mais elevada asraya. Esse radha-premasvada, o prema que Radharani saboreia, é milhares e milhares de vezes maior que este visaya jatiya-sukha.

Esse é o pensamento de Krsna e o anseio desenvolvido por Krsna. Um grande anseio que não pode ser suprido. È um anseio muito elevado. “Como posso Eu saborear isso, como posso Eu entender? Como Eu posso fazer essas coisas? Eu fiz um esforço mas Eu fracassei. O que Eu devo fazer?” Krsna está pensando, pensando muito profundamente. “Eu sou visaya-vigraha, mas se Eu me tornar o asraya-vigraha então será possível que Eu saboreie essa asraya jatiya-sukha.” Pensando dessa maneira, num pensamento muito profundo, Krsna se tornou muito inquisitivo. “O que fazer?” O pensamento muito profundo surgiu assim, hrdaye badaye prema-lobha. Esse lobha significa anseio por esse prema. Há assim um grande anseio inabalável no coração de Krsna, “como saborear esse radha-prema?”, então há aí prema-lobha.

Kaviraja Gosvami usa esse termo especifico, dhak-dhaki, dhak dhak.

Se você preparar arroz doce, botando leite, açúcar e arroz em um pote no fogo fazendo com que os ingredientes se tornem cada vez mais condensados e mais condensados e quando isso ocorrer você vai conhecer esse dhak dhak, dhak dhak. Isso é o dhak-dakhi dentro do coração e este prema-lobha, dhak-dhaki está no coração de Krsna. Não há nenhuma palavra em inglês, em nenhuma língua. “Palpitação do coração”, mas isto ainda não é dhak-dhaki. Não há nenhuma palavra, o que fazer? Um tio cego é melhor do que tio nenhum, isto é como esta “palpitação do coração” é melhor.

Então isto é o que Krsna desenvolveu, um grande anseio.


(The Last Limit of Bhakti, Nitya-lila-pravista Swami Gaura Govinda Maharaja)

http://anandapombinha.multiply.com/journal/item/25

domingo, 29 de agosto de 2010

Maharani Ki Jai Radharani Ki Jay !



HARE KRISHNA HARE KRISHNA KRISHNA KRISHNA HARE HARE HARE RAMA HARE RAMA RAMA RAMA HARE HARE

Radhika Stava -- Glory of Srimati Radharani

Jaya Jaya Srila Gurudeva !!!!!!Amor a todos os Devotos ... Feliz Janmastami !!!! Feliz Natal

todas as misericordias aos devotos de Krsna ...haribol ....radheee jaya jaya madhava dayite radheeee ....

LYRICS:

rādhe jaya jaya mādhava-dayitegokula-taruṇī-maṇḍala-mahite

(1)dāmodara-rati-vardhana-veśehari-niṣkuṭa-vṛndā-vipineśe

(2)vṛṣabhānūdadhi-nava-śaśi-lekhelalitā-sakhi guṇa-ramita-viśākhe

(3)karuṇāḿ kuru mayi karuṇā-bharitesanaka-sanātana-varṇita-carite


TRANSLATION

O Radha! O beloved of Madhava! O You who are worshiped by all the young girls of Gokula! All glories unto You! All glories unto You!

(1-3) You who dress Yourself in such a way as to increase Lord Damodara's love and attachment for You! O queen of Vrndavana, which is the pleasure grove of Lord Hari! O new moon that has arisen from the ocean of King Vrsabhanu! O friend of Lalita! O You who make Visakha loyal to You due to Your wonderful qualities of friendliness, kindness, and faithfulness to Krsna! O You who are filled with compassion! O You whose divine characteristics are described by the great sages Sanaka and Sanatana! O Radha, please be merciful to me!

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Radheee ...Hare Krsna !!!!Jaya Sri Janmastami !!!! Feliz Natal !!!SRILA GURUDEVA Ki Jaya !!!!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Meu Guru é Radharani

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Hari Katha por ; por Sri Srimad Gour Govinda Maharaja





Nessa linha, em nosso guru-parampara Krsna está no topo, mas Krsna diz,

radhikara prema-guru, ami-sisya nata

sada ama nana nrtye nacaya udbhata

(Caitanya-caritamrta Ad 4.124)

“Meu guru é Radharani,” Krsna diz. “Quanto aos assuntos amorosos Meu guru é Radharani, então Ela sempre me faz dançar de acordo com o Seu tom.”

Então quem está no patamar mais elevado de guru? Esta pessoa é Radharani. Então embora em nosso guru-parampara a posição mais elevada é de Krsna, Ele diz, “Radharani é Meu guru em assuntos amorosos e Ela me faz dançar de acordo com o Seu tom. Eu dançarei, Eu dançarei. Amo-sisya anta, Eu sou Seu discípulo e nata, dançarino.” O guru faz o discipulo dançar, “Vá lá, venha cá, suba desça, suba desça.” O Guru pode fazer o discípulo dançar então Krsna diz, “Radharani é Meu guru nos assuntos amorosos e Ela sempre Me faz dançar de acordo com o Seu tom. Eu estou dançando de acordo com o tom dela. Meu guru é Radharani.”

Então no guru-parampara a posição mais elevada é Radharani. Isso é guru-tattva.

Aqueles que aceitam vraja-seva-adhikara, o direito de servir Krsna em Vrajabhumi, eles são servos de Radhanatha.

E Gaurasundara é radha-bhava-dyuti-suvalitam. Radha-bhava é predominante em Gaurasundara.

gaura anga nahe mora- radhanga-sparsana

vrajendra-suta vina tenho na sparse anya-jana

(Caitanya-caritamrta M. 8.287)

E o que ele disse? Essa é a sua própria declaração:

“Esse não é o corpo de Gaura, esse é o corpo de Radha,” Gaura disse essas coisas. “Apenas Vrajendra-suta, o filho de Nanda Maharaja pode tocar esse corpo. Ninguém mais pode tocar esse corpo.”

Então radhabhava é predominante em Gaura. Em nosso guru-parampara quando Gaura surge então Radha surge. Este guru-parampara em que Gaura aparece é o parampara de Radha. Isto é guru-tattva, porque em Gaurasundara radhabhava é predominante. Então aqueles que são gauranugas, seguidores de Gaura, eles são radhanugas, porque radhabhava é predominante em Gaura, isto é gaudiya-guru-dhara.

Mantenha Gauranga em seu coração

Mahaprabhu é tão misericordioso.

uttma adhama kichu na bachila jachie dilaka kola

kahe premananda emana gauranga hrdaya dharia bola

Nós cantamos isso anteriormente lendo Caitanya-caritamrta. Mahaprabhu nunca discrimina, seja alguém uttama ou adhama, o mais elevado ou o mais degradado. Ele nunca discrimina. Ele oferece e abraça, “Por favor, venha para o Meu abraço, por favor, venha para o Meu enlaçar.” Tal personalidade é Gauranga. Premananda dasa Thakura diz, “Mantenha esse Gauranga em seu coração, hrdayetu sacinandana.”

Da mesma forma, também é dito:

Bhaja gauranga kaha gauranga laha gauranga nama re

Je jana gauranga bhaje sei hoy amara prana re

Premananda dasa Thakura canta, “Profira o nome de Gauranga, canta o nome de Gauranga, fale sobre Gauranga. Aquele que faz bhajan a Gauranga, ele é a minha vida e alma.”

Então, Gauranga é Krsna, mas Krsna desenvolveu anseio em entender e saborear radha-prema, o amor experimentado por Radharani. Por isso saci-garbha-sindhau, Ele apareceu do ventre de sacimatha, para satisfazer esses três desejos, três tipos de anseios. Este é Sacinandana Gauranga.

Radhayah pranaya-mahima kdrso. “O que é o amor de Radharani?”

Svadyo yenabhuta-madhurima krso va. “Radharani saboreia Minha beleza.” A beleza de Krsna é madhurya.

“O que é a Minha beleza?”

Como pode alguém saborear sua própria beleza? Você pode ver a sua própria face? Então como você pode saboreá-la?

“Como Eu posso entender,” Krsna pensa. É impossível para Krsna. E o terceiro, saukhyam casya mad-anubhavatah kidrsam veti lobhat.

“Que sukha, felicidade, Radharani tem por saborear a Minha beleza e como Eu posso entender isso?”

Esse é o desejo, o anseio que Krsna desenvolveu, e ele se mantêm insatisfeito na Krsna-lila.

Por isso é dito, pelas próprias palavras de Krsna, e Kaviraja Gosvami escreveu essas palavras no Caitanya-caritamrta (Adi 4.126),

nija-premasvade mora haya ye ahlada

taha ha´te koti-guna radha-premasvada

“O ahlada, prazer que Eu tenho por saborear Meu próprio prema é grande, mas por saborear radha-prema, o prazer é milhares e milhares de vezes maior.”

Krsna é raservisaya, Ele é visaya-vigraha. Todos devem entender isso. Esse é um linguajar especifico, vaisnava-bhasa. Nós dizemos repetidamente que todos devem conhecer essa bhasa, linguagem, pari-bhasa, a linguagem da filosofia Vaisnava.

Você é o estudante, então como você pode se tornar um estudante? Vá embora daqui! Eu vou não mais admiti-lo nessa classe. Vá embora, vá embora! Você não está preparado para ser admitido nessa classe. Como pode você ser admitido nessa classe de pós-graduação? Você deve saber a linguagem!

Rasarvisaya e raserasraya, visaya-vigraha e asraya-vigraha. Em inglês seria o desfrutador e o desfrutado, mas eu não estou satisfeito com essa tradução. Não há palavra em inglês para isso, então você deve entender. Saukhyam casya-mad anubhavatah kidrsam veti lobhat. Essa é a sukha, felicidade que a asraya experimenta e Radharani é a mais elevada asraya. Krsna é visaya-vigraha e todos os devotos são asraya-vigraha. Radharani é a devota mais elevada, por isso Ela é a mais elevada asraya. Esse radha-premasvada, o prema que Radharani saboreia, é milhares e milhares de vezes maior que este visaya jatiya-sukha.

Esse é o pensamento de Krsna e o anseio desenvolvido por Krsna. Um grande anseio que não pode ser suprido. È um anseio muito elevado. “Como posso Eu saborear isso, como posso Eu entender? Como Eu posso fazer essas coisas? Eu fiz um esforço mas Eu fracassei. O que Eu devo fazer?” Krsna está pensando, pensando muito profundamente. “Eu sou visaya-vigraha, mas se Eu me tornar o asraya-vigraha então será possível que Eu saboreie essa asraya jatiya-sukha.” Pensando dessa maneira, num pensamento muito profundo, Krsna se tornou muito inquisitivo. “O que fazer?” O pensamento muito profundo surgiu assim, hrdaye badaye prema-lobha. Esse lobha significa anseio por esse prema. Há assim um grande anseio inabalável no coração de Krsna, “como saborear esse radha-prema?”, então há aí prema-lobha.

Kaviraja Gosvami usa esse termo especifico, dhak-dhaki, dhak dhak.

Se você preparar arroz doce, botando leite, açúcar e arroz em um pote no fogo fazendo com que os ingredientes se tornem cada vez mais condensados e mais condensados e quando isso ocorrer você vai conhecer esse dhak dhak, dhak dhak. Isso é o dhak-dakhi dentro do coração e este prema-lobha, dhak-dhaki está no coração de Krsna. Não há nenhuma palavra em inglês, em nenhuma língua. “Palpitação do coração”, mas isto ainda não é dhak-dhaki. Não há nenhuma palavra, o que fazer? Um tio cego é melhor do que tio nenhum, isto é como esta “palpitação do coração” é melhor.

Então isto é o que Krsna desenvolveu, um grande anseio.

(The Last Limit of Bhakti, Nitya-lila-pravista Swami Gaura Govinda Maharaja)

Fonte: http://anandapombinha.multiply.com/journal/item/25





Radhe Radhe Radhe Jai Jai Jai Sri Radhe


radhe radhe govinda govinda radhe

radhe radhe govinda govinda radhe


Radharani ki jai Radharani ki jai, maharani ki jai bolo barsane vari

ki jai jai jai Radharani ki jai



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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Jai Jai Sri Radhe Novo Site de Pregação

Jaya Radhe, Hare Krsna
Todas as glórias a Sri Sri Guru e Gouranga !
Todas as glórias a Srila Gurudeva Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaja !



por : Adhoksaja Das

http://jayjaysriradhe.blogspot.com

Meus dandavat pranamas a todos, faço votos que todos estejam bem com saúde e felizes em consciência de Krsna. Desde alguns anos busquei manter um blog que se chamava Jaya Radhe, na intenção de fazer algum seva a Sri Guru e vaisnavas, por algum tempo parei de atualiza-lo e só agora sinto a vontade de retomar este seva. Aproveito a oportunidade para reiniciar o seva em um novo endereço e falando da auspiciosa visita de Srila Gurudeva ao Brasil.

Desde o início de minha trajetória na consciência de Krsna, a idéia de se aceitar um Guru era algo que me incomodava. Mas naturalmente com o passar do tempo foi ficando mais clara a compreensão de porque deveria aceitar um Guru caso realmente desejasse seguir por esta escola. Me recordo que nas primeiras visitas a um templo da ISKCON, eu oferecia reverências ao Sri Sri Jagannath, Baladeva e Subhadraji mas desconhecia na realidade quem Eles são. Era tudo novo, diferente, atrativo e mais um tanto de hábitos diferentes de minha cultura como o idioma em que eram cantados as canções e versos e nomes citados nos livros.

Apenas uma coisa me era familiar, era a imagem de Srila Bhaktivedanta Swami Maharaja, um senhor idoso com um aspecto sério em um quadro grande acentado numa poltrona na sala do templo. Na recepção um outro quadro dele com o dedo apontando para mim a toda hora que eu o olhava. A história daquele senhor a quem aqueles monges chamavam de Srila Prabhupada me intrigou. Por que um senhor indiano, monge, com uma idade avançada deixaria seu país de origem sem dinheiro, passaria por problemas serios de saudade durante uma viagem num navio cargueiro rumo a um local que ele descrevia como infernal apenas para cumprir o pedido de seu Mestre espiritual ? Por que este senhor arriscou sua vida ao lado de jovens drogados sem ter ao menos um local mais decente para morar apenas pedindo para aquelas pessoas para cantarem um Mantra: HARE KRSNA HARE KRSNA KRSNA KRSNA HARE HARE HARE RAMA HARE RAMA RAMA RAMA HARE HARE.

O tempo passou e hoje em dia, começo a engatinhar na minha vida espiritual. E sou grato a Srila Bhaktivedanta Swami Maharaja, nosso Srila Prabhupada, por ter tido tão grande misericórdia por nós e ter vindo ao Ocidente cumprir o pedido de seu Guru Maharaja Srila Bhaktisiddhanta Saraswat Prabhupada de ensinar a consciência de Krsna e fazer com que a professia de Sri Caitanya se cumprisse.

Ainda mais que isso, sou grato a ele por ter me dado a oportunidade de encontrar meu Gurudeva, o Yuga Acarya Srila Bhaktivedanta Narayan Goswami Maharaja que foi incumbido de auxiliar aqueles devotos que buscavam seguir a guia de Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada a avançar em consciência de Krsna. Srila Gurudeva vem com amor e afeição dando abrigo a todos os filhos de seu Siksa Guru Srila Bhaktivedanta Swami Maharaja ou "Swamiji" como ele carinhosamente é chamado por Gurudeva.

O abrigo aos pés de lótus de Srila Gurudeva me fez sentir-se mais próximo a Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada. Mesmo a distância e sem conhece-lo pessoalmente as bençãos de Gurudeva chegam até nós aqui, através da visita de seus sanyasis, principalmente de um que por onde passa rouba o coração de todos, Puja Pada Bhaktivedanta Vana Maharaja.

Após viver momentos difíceis na vida espiritual, e material e de não ter sukrit suficiente para ir a Índia participar de um parikrama, desfrutar do Néctar da Sadhu Sanga com Srila Gurudeva, do Hari Katha doce e dos festivais que eu via em videos no You tube ele misericordiosamente veio mais uma vez ao Brasil para inspirar seus filhos a continuarem cantando seus mantras, a estudarem a respeito de consciência de Krsna e serem fortes no caminho de volta ao Supremo.

A chegada de Gurudeva no aeroporto, me fez lembrar algusn relatos das chegadas de SRila Bv. Swami Prabhupada. Fiquei feliz por poder tocar mrdanga, mesmo que meus toques sejam limitados, por poder estar fazendo kirtan com meus irmãos espirituais na area de desembarque, por ver em um instante enquanto eu cantava "Bhaja Gouranga Japa Gouranga Laha Gourangera nama he !!" o sorriso que meu siksa Guru Bv. Vana Maharaja deu para mim trepado numa estrutura metálica enquanto esperavamos a chegada do Yuga Acarya.

Quando finalmente ele chegou meus irmãos invadiram aquele espaço. Ele estava numa cadeira de rodas empurrado por Sripad Bhaktivedanta Madhava Maharaja. Foi um certo custo poder chegar com a mrdanga até os pés de lótus dele e tocá-lo ... mas eu consegui ... "GURUDEVA TUMARI KI JAY JAY HO !!"

Me considero afortunado pela oportunidade de ter associação com estes vaisnavas. Me considero afortunado por poder estar cantando meus Gayatris e Maha mantra sob a anugatya de um Vaisnava Uttama Adhikari, que apesar de minha condição caída, ignora as minhas faltas e me da suas bençãos, assim como Sri Nityananda Prabhu fazia a pessoas ofensivas e avessas ao cantar dos Santos Nomes.

Durante o festival de Vyasa Puja, vivênciei situações diversas. A cada chegada de Gurudeva uma grande festa tinha início e mais uma oportunidade de poder ter o darshan, de receber Mahaprasada, de poder tocar os pés do Sadhu e de poder ser alvo daquele olhar profundo do Yuga Acarya, um olhar que vai até o fundo do nosso coração.

É verdade que também tive alguns momentos difíceis. Que com certeza devo ter decepcionado alguns irmãos espirituais e talvez até os magoado pelo fato de eu fazer uso de Ayahuasca, um chá liberado pelo CONAD, orgão do Governo, que após pesquisas foi considerado inofensivo a saúde. Eu uso Ayahuasca como um chá medicinal, não sou um monge e percebi que para alguns irmãos isso me desqualifica como devoto. Ofereço meus dandavat pranamas a todos eles e peço que me perdoem por este fato em minha vida particular incomoda-los. E ainda sim peço que me perdoem também por continuar buscando fazer algum seva mesmo que sendo caído.

A vinda do Acarya é algo místico. A associação com o sadhu é inspiradora. Mesmo não sendo um erudito nas escrituras, mesmo não sabendo versos em sânscrito para poder citar e ilustrar Guru tattva, maya Tattva, jiva Tattva e tantas explicações mais, a misericórdia do Guru chega ao coração, num simples olhar dele, num gesto, num toque na cabeça do discípulo,numa guirlanda, ou numa flor ou folha da guirlanda do Guru.

Srila Gurudeva, agradeço pelo seu amor e afeição. Por poder novamente ouvir os Gayatris, desta vez pessoalmente, por poder tomar sua Maha prasada, por poder ouvir o Senhor cantar "Jaya Sri Krsna Caitanya Prabhu Nityananda Sri Advaita Gadhadara Srivasadi Sri Goura Bhakta Vrnda Hare Krsna Hare Krsna Krsna Krsna Hare Hare Hare Rama Hare Rama Rama Rama Hare Hare", por poder ouvir sua glorificação a Srila Bhaktivedanta Swami Prabhupada, ouvir a respeito de Pralahda Maharaja, por permitir que eu servisse a lila de Sri Nrsimhadeva, por poder me associar e ouvir seus sanyasis, por tocar e minha cabeça, as minhas contas de Tulasi, pela guirlanda arrebentada da qual guardei algumas florzinhas, agradeço por ter tido a oportunidade de conhecer alguns irmãos espirituais que só conhecia virtualmente, e agradeço por ter dado a oportunidade a este servo desqualificado de fazer kirtan no aeroporto, num dos momentos mais felizes da minha vida.

Tenho visto uma série de emails, textos, criticando o Senhor, dizendo mentiras a respeito de ofensas ao nosso Srila Prabhupada e etc. Hoje em dia evito este tipo de leitura, poucas vezes consigo ler um texto destes inteiro. Já fiz parte de outra missão e tinha a mesma posição ofensiva em relação a Srila Gurudeva, pensava as mesmas coisas, ams o tempo passou, e a verdade veio a tona, e quando me deparei com ela, vi o quanto havia ofendido um devoto puro. Me senti envergonhado. Mas a resposta dele a mim foi me dar seu abrigo e me fazer sentir mais próximo daquele que me encantou no início de minha caminhada na consciência de Krsna, Srila Gurudeva me faz sentir mais próximo de Srila Bv. Swami Prabhupada.

O tempo passa, e para merecer estar em associação de vaisnavas como Srila Gurudeva, Srila Bv. Vana Maharaja e outros avançados vaisnavas deve-se compreender que o vaisnavismo é algo fino, que não se resume a missões, é necessário compreender o siddhanta e mais fazer o coração amolecer. Entender que existem vaisnavas Kanisthas, Madhyamas e Uttama adhikaris. Que um vaisnava Uttama Adhikari é algo raro. É necessário entender que existem vaisnavas Raganugas e que estes são raros. E mais raros ainda são os Rupanugas, como Srila Gurudeva e Srila Prabhupada.

Peço que me perdoem por alguma ofensa cometida e pela minha desqualificação, mas é que a associação com Srila Gurudeva, com Puja Pada Bv. Vana Maharaja, fazem mesmo um devoto caído como eu ousar a escrever algo, cantar Hare Krsna e oferecer dandavat pranamas aos outros devotos, mesmo que eles olhem para você e dêem risada ridicularizando-o.

Estou feliz.
Gurudeva tumari ki jay jay ho !!

Vaisnava dasa anudasa
Adhoksaja Das

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